Apresentação do Cordel Jeito diferente de falar

Oficina de Cordel

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Namoro de Antigamente



Vou lhe contar uma estória
De muito tempo atrás
As coisas de antigamente
Eram diferentes demais
As filhas só namoravam
Com aprovação dos pais.

A forma de namorar
Era muito diferente
Ficavam jogando pedrinhas
E os dois sempre contentes
Pra eles isso era o máximo
No namoro de antigamente.

Quando os dois tivessem noivos
E casamento marcado
Era quando se podia
Dar as mãos os namorados
Mesmo assim com vigilância
E com bastante cuidado.

Sentavam lá na calçada
Com a família presente
Os dois sempre distantes
Pois era inconveniente
E uma moça de família
Precisava ser descente.

E quem não cumprisse as regras
Ficava logo falada
Na boca da vizinhança
Não valia era mais nada
A fulana era perdida
E em todo canto apontada.

Nos tempos de lampião
Que vigorava o cangaço
A moça pra ser direita
Tinha que ser cabaço
Eram todas recatadas
Viviam presas a laço.

Um certo compadre meu
Que é metido a valentão
Gostou de uma mocinha
E foi pedir a sua mão
A resposta do pai dela
Foi mesmo um baita não.

Ele todo inconformado
Voltou mesmo foi raivoso
Prometeu dar logo o troco
E fez todo um alvoroço
Vou roubar a filha dele
E começou o destroço.

Foi logo na madrugada
Combinou com a donzela
Quando ouvir o assobio
Já vá pulando a janela
Ele já estava no ponto
E abufelou-se com ela.

Levou ela pra bem longe
Já prevendo o reboliço
Deitando logo com ela
Fazendo logo serviço
Ficava a família obrigada
De firmar o compromisso.

Juarês Alencar Pereira.

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