Apresentação do Cordel Jeito diferente de falar

sexta-feira, 22 de junho de 2018

Cordel Vencedor do Sarau Literário Aluzivo aos 150 do S. João do Araripe



A PROMESSA DO BARÃO DO EXU-PE



O nosso belo Araripe
De história e tradição
Reduto alencarino
Relicário do Barão
Que fez promessa com fé
E a cólera não tomou pé
Em Exu nosso sertão.

Nas paragens de Exu
Com o Brígida a margear
Muita história ocorreu
Que dá gosto relembrar
Uma delas é a promessa
Que o Barão fez com pressa
Pra da cólera nos livrar.

Contemplando o milagre
Se encheu de gratidão
Contratou logo arquiteto
Deu início a construção
O Barão que não se cansa
Mando buscar na França
A imagem de São João.

Foi no século dezenove
Quando o fato aconteceu
No ano sessenta e oito
A inauguração ocorreu
Com festejos a São João
Até a quarta geração
Pois o barão prometeu.

Cumpriu-se assim a promessa
Com o barão e os descendentes
Sem nunca falhar os festejos
Até o tempo presente
Além da quarta geração
Permanece a tradição
Pelo clã remanescente.

Assim a família Alencar
Permanece a guardiã
E todo ano se reúne
Num verdadeiro afã
Com amigos e parentes
Junto aos descendentes
Do Barão e todo clã.

Cada ano se repete
Com a mesma maestria
Preservando a tradição
Dessa tão nobre família
Enquanto tiver Alencar
Os São João vão festejar
No Araripe com alegria...

A bela vila Araripe
Preserva o seu cenário
E celebra hoje em festa
O seu sesquicentenário
E relembra todo ano
Desde Gualter Martiniano
Seguindo o itinerário...

Não temos mais os Gonzagas
Com toda animação
Com Januário e Santana
Fiéis dessa devoção
Ficou tudo na memória
Eternizados na história
Na voz do Rei do Baião.

Não temos mais o seu Sete
Sinharinha dos canários
Nova, Nenem e Baia
Presentes no novenário
Seu Clóves, Sinhá e Ita
Que saudade infinita
Martim, Brígida e Nazário...

Foi nesse belo recanto
Que dá gosto relembrar
Viveram grandes nobres
Que é orgulho do lugar
Bárbara a grande heroína
E o Barão que nos fascina
E o Gonzagão a cantar...

Com a família reunida
E a promessa confirmada
Diante desse milagre
Com a fé testificada
A família Alencar
Faz questão de preservar
Essa festa animada.

São cento e cinquenta anos
De cultura e tradição
Com Gualter Martiniano
Nosso saudoso Barão
Seus feitos estão na história
E inspirou a trajetória
Do eterno gonzagão!

Essa tal peste de cólera
Que assolou a região
Deixando um rastro de morte
Uma insana maldição
No Exu domínio seu
Nem um óbito ocorreu
Com a promessa do barão.

E depois de tanto tempo
Todo junho é tradição
Os Alencar continuam
Com essa celebração
Reunindo os descendentes
Até o tempo presente
Além da quarta geração.

Juarês Alencar Pereira.